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terça-feira, 7 de junho de 2016

“Os melhores jornalistas são nômades”, avalia o apresentador Flávio Fachel

os-melhores-jornalistas-sao-nomades-diz-flavio-fachelApresentador do 'Bom Dia Rio', Fachel integrou a turma de jornalismo de 1993 da Famecos (Imagem: Reprodução/Globo)Foi por um semestre que não se formou Engenheiro Civil, na Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos). Desistiu do curso e foi servir no Centro de Preparação de Oficiais da Reserva (CPOR). Prestou vestibular para Comunicação e, quando se mudou para Manaus (AM) para servir como oficial de intendência, fez sua transferência para o curso na Universidade do Amazonas. Com pai publicitário, Fachel queria estudar Publicidade e Propaganda, mas por não ter o curso naquela instituição, escolheu o Jornalismo. Foi gerente comercial em uma rádio FM e, em 1991, iniciou a carreira de repórter de televisão na RBN, na época emissora afiliada à Rede Manchete.

Faltando um semestre para se formar, voltou para Porto Alegre e pediu transferência. “Eu queria me formar na Famecos. Na época, era a melhor do Brasil”. Por conta do aproveitamento das disciplinas, ainda faltavam dois anos para que ele concluísse o curso na faculdade gaúcha. Dois anos decisivos para o rumo de sua carreira.

Ainda estudante, criou o jornal Arredores junto com o colega Diego Casagrande, atual jornalista no Grupo Bandeirantes. Pensaram mercadologicamente e venderam o produto nas redondezas da Avenida Carlos Gomes. O 'Ecos da Fama', piloto de programa de TV desenvolvido por aproximadamente 100 alunos da Famecos, tem um lugar especial na memória de Fachel. “Significou o início do aprendizado de que é possível se divertir trabalhando”. O término do projeto foi consolidado com a premiação no 5˚ SET Universitário. Aos atuais estudantes da Famecos, Fachel deixa um desafio. “Que tal produzirem o Ecos da Fama 2?”.

Os projetos desenvolvidos durante a faculdade são muito valorizados por ele, que relembra com carinho a época da faculdade. “A Famecos é um lugar especial. Tive a chance de conhecer amigos e pessoas que foram decisivas na carreira”, diz, citando a então professora da Faculdade Alice Urbim. No último dia das inscrições para o projeto Caras Novas, do Grupo RBS, foi ela quem o incentivou a se candidatar. E, assim, a carreira de Fachel não parou mais de crescer. Permaneceu na empresa até 1997 como editor e repórter. Depois, foi correspondente da Rede Globo na Amazônia, onde produziu reportagens sobre denúncias ambientais para o 'Jornal Nacional', 'Globo Repórter', 'Fantástico', entre outros programas. Em 2000, tornou-se repórter especial da Rede Globo.

O gosto pela produção de jornais impressos que tinha na faculdade continuou quando se mudou para o Rio de Janeiro. Lá, Fachel criou outro jornal de bairro, semelhante ao que fez na época de estudante, e distribuiu gratuitamente no condomínio. “Eu não assinava meu nome no jornal. Acreditava que ele precisava viver sozinho”, conta. Os custos de produção eram pagos pelos anunciantes e, em um mês, ele arrecadou R$ 5 mil líquido, tendo a prova de que é possível fazer. Basta gostar. Dez anos depois, desembarcou em Nova Iorque como correspondente internacional pela mesma emissora. Em 2012, retornou à cidade maravilhosa como repórter especial.

As mudanças de Fachel condizem com sua percepção da profissão. “Os melhores jornalistas são nômades. Eles não vivem o bairro, vivem o mundo”. Hoje, apresentador e editor-executivo do telejornal 'Bom Dia Rio', da Rede Globo, ele continuou fazendo. Participou da modificação de perfil do programa, tornando-o mais crítico e opinativo. O lado criativo que o levou a ter a publicidade como primeira opção quando prestou vestibular ainda permanece. Além de criar maneiras de contar histórias no jornalismo, ele produz campanhas e anúncios na agência de seu irmão, Rodrigo Fachel Publicidade.

A diversão unida ao trabalho e a proatividade persistem na carreira de Fachel até hoje. As características são heranças do 'Ecos da Fama', primeiro projeto lembrado pelo jornalista quando questionado sobre a faculdade. “A Famecos foi o lugar onde tive a oportunidade de experimentar”.
(*) Integrante do projeto ‘Correspondente Universitário’ do Portal Comunique-se. Estudante do curso de jornalismo da Faculdade de Comunicação Social da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (Famecos/PUC-RS).
Fonte: C-SE

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Para jornalista, repressão na periferia é ignorada pela grande mídia

A Semana de Comunicação da Faculdade do Povo de São Paulo (Fap-SP), realizada de 5 a 9 de outubro, recebeu o jornalista Fausto Salvadori Filho, um dos fundadores da Ponte Jornalismo, site de Segurança Pública e Direitos Humanos, focado na realidade das populações das periferias.
O jornalista falou sobre o desenvolvimento, as dificuldades e os bastidores das coberturas feitas pela Ponte, que muitas vezes aprofundam problemáticas ignoradas pela grande imprensa. “O foco dos grandes veículos é a violência que atinge a classe média. Para eles, mais vale um morto em um bairro nobre que dezenas de mortos em uma região da periferia”, destacou.
fausto-salvadori-filhoFausto Salvadori Filho durante conversa com estudantes de jornalismo (Imagem: Divulgação/Fap-SP)Salvadori Filho falou sobre os profissionais que compõe a equipe da Ponte e as repercussões de algumas matérias publicadas no site. Ele relembrou o caso do jovem José (nome fictício), um garoto negro que foi preso injustamente acusado por roubo de carro, em março do ano passado. Após a matéria feita pela Ponte, provando sua inocência, o jovem foi libertado. 
“É raro termos uma resposta tão rápida e fácil com o trabalho, como tivemos naquele caso”, disse. Na ocasião, um vídeo produzido por outros dois fundadores da Ponte foi apresentado à Justiça como prova da inocência do garoto.
Ao conversar com estudantes da Fap-SP, o palestrante revelou que os integrantes da Ponte definem as atividades do site não mais como as de um coletivo, mas como de “uma facção de jornalistas que quer contar histórias que não são contadas normalmente”.
O repórter afirmou que não sofre a repressão que aflige a população das periferias, por ter nascido no interior, ser branco e “ter cara de ‘nerd’”. A respeito disso, ele questionou os alunos da faculdade, moradores da periferia, sobre a visão que eles têm sobre o jornalismo policial.
Jornalista há 16 anos, Salvadori Filho trabalhou como repórter e editor em diversos sites, revistas e jornais, com passagens pelas redações de veículos como Folha de S. Paulo, Vice, Galileu, Trip, TPM, Metro e Jornal da Tarde. Desde 2008, é jornalista concursado da Câmara dos vereadores de São Paulo. Em 2013, recebeu menção honrosa no Prêmio Vladimir Herzog, pela reportagem “Em busca da verdade”, publicada pela revista Apartes.
(*) Integrantes do projeto ‘Correspondente Universitário’ do Portal Comunique-se. Estudantes do 5º semestre de jornalismo da Faculdade do Povo de São Paulo (Fap-SP).
Participou de algum evento relacionado à comunicação social e deseja colaborar com o formato 'Correspondente Universitário'? Produza seu texto e envie o material para jornalismo@comunique-se.com.br - com o título do projeto no assunto e aos cuidados do editor Anderson Scardoelli.