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quarta-feira, 8 de junho de 2016
terça-feira, 7 de junho de 2016
“Os melhores jornalistas são nômades”, avalia o apresentador Flávio Fachel
- Escrito por Nicolle Timm (*)
- Se tem um verbo que define a carreira de Flávio Fachel é fazer. Alice Urbim, jornalista e ex-professora da Faculdade de Comunicação Social da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (Famecos/PUC-RS), o define assim no prefácio do livro Dicas de #Telejornalismo, escrito por Fachel. “Fazia parte do grupo dos fazedores, dos intrigados, dos perguntadores e dos que queriam mudar a cena”.
Faltando um semestre para se formar, voltou para Porto Alegre e pediu transferência. “Eu queria me formar na Famecos. Na época, era a melhor do Brasil”. Por conta do aproveitamento das disciplinas, ainda faltavam dois anos para que ele concluísse o curso na faculdade gaúcha. Dois anos decisivos para o rumo de sua carreira.
Ainda estudante, criou o jornal Arredores junto com o colega Diego Casagrande, atual jornalista no Grupo Bandeirantes. Pensaram mercadologicamente e venderam o produto nas redondezas da Avenida Carlos Gomes. O 'Ecos da Fama', piloto de programa de TV desenvolvido por aproximadamente 100 alunos da Famecos, tem um lugar especial na memória de Fachel. “Significou o início do aprendizado de que é possível se divertir trabalhando”. O término do projeto foi consolidado com a premiação no 5˚ SET Universitário. Aos atuais estudantes da Famecos, Fachel deixa um desafio. “Que tal produzirem o Ecos da Fama 2?”.
Os projetos desenvolvidos durante a faculdade são muito valorizados por ele, que relembra com carinho a época da faculdade. “A Famecos é um lugar especial. Tive a chance de conhecer amigos e pessoas que foram decisivas na carreira”, diz, citando a então professora da Faculdade Alice Urbim. No último dia das inscrições para o projeto Caras Novas, do Grupo RBS, foi ela quem o incentivou a se candidatar. E, assim, a carreira de Fachel não parou mais de crescer. Permaneceu na empresa até 1997 como editor e repórter. Depois, foi correspondente da Rede Globo na Amazônia, onde produziu reportagens sobre denúncias ambientais para o 'Jornal Nacional', 'Globo Repórter', 'Fantástico', entre outros programas. Em 2000, tornou-se repórter especial da Rede Globo.
O gosto pela produção de jornais impressos que tinha na faculdade continuou quando se mudou para o Rio de Janeiro. Lá, Fachel criou outro jornal de bairro, semelhante ao que fez na época de estudante, e distribuiu gratuitamente no condomínio. “Eu não assinava meu nome no jornal. Acreditava que ele precisava viver sozinho”, conta. Os custos de produção eram pagos pelos anunciantes e, em um mês, ele arrecadou R$ 5 mil líquido, tendo a prova de que é possível fazer. Basta gostar. Dez anos depois, desembarcou em Nova Iorque como correspondente internacional pela mesma emissora. Em 2012, retornou à cidade maravilhosa como repórter especial.
As mudanças de Fachel condizem com sua percepção da profissão. “Os melhores jornalistas são nômades. Eles não vivem o bairro, vivem o mundo”. Hoje, apresentador e editor-executivo do telejornal 'Bom Dia Rio', da Rede Globo, ele continuou fazendo. Participou da modificação de perfil do programa, tornando-o mais crítico e opinativo. O lado criativo que o levou a ter a publicidade como primeira opção quando prestou vestibular ainda permanece. Além de criar maneiras de contar histórias no jornalismo, ele produz campanhas e anúncios na agência de seu irmão, Rodrigo Fachel Publicidade.
A diversão unida ao trabalho e a proatividade persistem na carreira de Fachel até hoje. As características são heranças do 'Ecos da Fama', primeiro projeto lembrado pelo jornalista quando questionado sobre a faculdade. “A Famecos foi o lugar onde tive a oportunidade de experimentar”.
(*) Integrante do projeto ‘Correspondente Universitário’ do Portal Comunique-se. Estudante do curso de jornalismo da Faculdade de Comunicação Social da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (Famecos/PUC-RS).
Fonte: C-SE
quarta-feira, 21 de outubro de 2015
Para jornalista, repressão na periferia é ignorada pela grande mídia
A Semana de Comunicação da Faculdade do Povo de São Paulo (Fap-SP), realizada de 5 a 9 de outubro, recebeu o jornalista Fausto Salvadori Filho, um dos fundadores da Ponte Jornalismo, site de Segurança Pública e Direitos Humanos, focado na realidade das populações das periferias.
O jornalista falou sobre o desenvolvimento, as dificuldades e os bastidores das coberturas feitas pela Ponte, que muitas vezes aprofundam problemáticas ignoradas pela grande imprensa. “O foco dos grandes veículos é a violência que atinge a classe média. Para eles, mais vale um morto em um bairro nobre que dezenas de mortos em uma região da periferia”, destacou.
“É raro termos uma resposta tão rápida e fácil com o trabalho, como tivemos naquele caso”, disse. Na ocasião, um vídeo produzido por outros dois fundadores da Ponte foi apresentado à Justiça como prova da inocência do garoto.
Ao conversar com estudantes da Fap-SP, o palestrante revelou que os integrantes da Ponte definem as atividades do site não mais como as de um coletivo, mas como de “uma facção de jornalistas que quer contar histórias que não são contadas normalmente”.
O repórter afirmou que não sofre a repressão que aflige a população das periferias, por ter nascido no interior, ser branco e “ter cara de ‘nerd’”. A respeito disso, ele questionou os alunos da faculdade, moradores da periferia, sobre a visão que eles têm sobre o jornalismo policial.
Jornalista há 16 anos, Salvadori Filho trabalhou como repórter e editor em diversos sites, revistas e jornais, com passagens pelas redações de veículos como Folha de S. Paulo, Vice, Galileu, Trip, TPM, Metro e Jornal da Tarde. Desde 2008, é jornalista concursado da Câmara dos vereadores de São Paulo. Em 2013, recebeu menção honrosa no Prêmio Vladimir Herzog, pela reportagem “Em busca da verdade”, publicada pela revista Apartes.
(*) Integrantes do projeto ‘Correspondente Universitário’ do Portal Comunique-se. Estudantes do 5º semestre de jornalismo da Faculdade do Povo de São Paulo (Fap-SP).
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