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domingo, 4 de maio de 2025

"Guardar para publicar depois: questões éticas"

 O professor da UFSC Christofoletti reflete sobre o fato de que jornalistas não publicam tudo o que sabem — uma prática comum e, muitas vezes, necessária na profissão. Segundo ele, o repórter lida com excesso de informação e precisa fazer escolhas editoriais, além de proteger fontes, o que pode justificar omissões.

 No entanto, ele provoca o debate ao questionar os limites éticos dessa prática: e quando a omissão serve à conveniência pessoal do jornalista, como ao guardar informações exclusivas para um livro futuro? A postagem sugere uma leitura crítica do artigo de Sophia Scolman, que discute esse dilema no Center for Journalism Ethics da Universidade de Wisconsin-Madison.

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Seleção para professor substituto: UEPB

Lançado edital de concurso para professor substituto do curso de Comunicação Social - Jornalismo da UEPB. São 3 vagas: uma para fotografia (T-20), outra para ética e direitos humanos (T-40) e uma para jornalismo para TV e Web (T-40). Exigência de mestrado. Inscrições em janeiro.

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Empresas perdem sentido e os jornalistas, seus empregos


Antes de tudo, minha solidariedade às centenas de profissionais demitidos pelas empresas convencionais de comunicação. E, se isso ajudar de alguma forma, saibam que suas demissões pouco têm a ver com as razões apresentadas pelo patronato. Nada de queda de faturamento, concorrência com a internet, diminuição do número de anunciantes e leitores etc etc A verdade é outra e discutir alguns de seus aspectos mais amplos ajuda a entender o cenário em que nos encontramos.
A mais importante razão para o fechamento em massa de postos de trabalho é o posicionamento político radical da indústria de comunicação. A maior parte do que se noticia ou se deixa de noticiar nestes meios, em especial em matéria de política e de economia, está sujeita a este posicionamento, e não a tradicionais critérios jornalísticos.
Em grande medida, a informação publicada é um ato de fé e de interesse corporativo, que se enquadra em um sistema de ideias. Quem lê ou ouve uma notícia tem de se esforçar para separar o fato objetivo de sua interpretação ideológica.
Sempre foi assim na América Latina. Na ausência de instituições político-partidárias capazes de tecer uma narrativa lógica de sua forma conservadora e reacionária de ver o mundo, entram em ação os conglomerados de mídia para ocupar esse espaço.
Antes, reuniam-se na Sociedade Interamericana de Imprensa para jogar a sua parte na Guerra Fria. Agora, organizam-se no Grupo de Diários Américas para combater os mandatários que sucederam os governos eleitos na onda neoliberal dos anos 1990. Seus alvos preferidos são os governos de Argentina, Bolívia, Brasil, Equador, Paraguai (este deposto por uma articulação em que as empresas de comunicação tiveram papel destacado), Peru, Venezuela e Uruguai.
Não é de se estranhar, assim, o que revelam pesquisas de confiança do leitorado. Elas apontam que boa parte do que é publicado vêm rapidamente deixando de fazer sentido para seus leitores, enfastiados de uma cobertura que se caracteriza por uma visão pré-concebida da realidade, recheada de preferências particulares e, muitas vezes, pouco vinculada à realidade factual.
Outras fontes de informação passam, então, a produzir sentido – como os inúmeros informativos gratuitos distribuídos pela internet, celulares etc. Ainda que eventualmente parciais, muitos deles assumem que posição defendem. Ao contrário da mídia convencional, não se arrogam o status de oráculo da verdade, de bastiões da informação crível e de guardião das instituições democráticas.
Blogs, sites e que tais têm seu valor justamente por serem apenas o que são, como atestam seu crescente impacto informativo. Por que então optar pela velha mídia convencional ideologizada?
É emblemático – inclusive por razões históricas – que o mais recente passaralho de grandes proporções ocorra n´O Globo. Ele é uma espécie de núcleo duro ideológico da holding Globo, a maior de sua área no Brasil, que por sua vez inspira politicamente os demais grupos do setor. Mais cedo ou mais tarde, as principais posições políticas do grupo Globo acabam mimetizadas pelas demais empresas.
É a segunda vez em 2015 (a primeira ocorreu em janeiro) que O Globo varre de seus quadros, numa onda só, dezenas de profissionais de imprensa – outras empresas do grupo fizeram o mesmo, mas dissimuladamente. Somando os dois tisunamis, foram quase 80 profissionais da redação mandados embora.
Os concorrentes miméticos d´O Globo seguem caminho semelhante, às vezes por razões distintas. No Rio de Janeiro, foi o caso do recentemente falecido Brasil Econômico, de O Dia e do provedor de acesso à internet IG, pertencentes à Portugal Telecom (PT). A PT investiu em mídia no Brasil buscando influência política para operar a telefônica Oi, em que detém cerca de 30% do capital votante. Sabe-se lá o porquê, a posse dos veículos de comunicação perdeu sentido para a PT, que não hesitou em fechar o BE e deixar o tradicionalíssimo O Dia em estado de alerta.
Em um ano, perto de dois mil postos de trabalho de jornalistas foram fechados no Brasil.
Pelo seu peso específico, o grupo Globo – pertencente à família mais rica do Brasil, segundo a Forbes – é o ator emblemático nesse movimento de perda de sentido das empresas de comunicação e dois momentos são particularmente especiais para exemplificar a repulsa à cobertura de O Globo e a consequente e imediata queda de sua audiência.
O primeiro é a capa do jornal em 17 de outubro de 2013, um dia após a PM ter desocupado a escadaria da Câmara dos Vereadores do Rio, onde centenas de manifestantes se reuniam pacificamente havia semanas. O Globo criminalizou preventivamente e violentamente os manifestantes. Desconsiderou que, culpados ou não, eles ainda precisariam ser julgados pela Justiça.
As consequências foram imediatas. Primeiro, repórteres que vão às ruas cobrir a realidade que a direção do jornal despreza queixaram-se do tratamento editorial das prisões. As caixas de email da redação foram entupidas de mensagens reclamando do tratamento dispensado aos manifestantes (todos foram soltos por falta de provas). E, nos dias seguintes, multiplicou-se por quase 20 o número médio de pedidos de cancelamento de assinaturas.
O jornal não reorientou sua cobertura e simplesmente optou por bloquear os sistemas de recebimento de e-mails e de pedidos de cancelamento.
Leia mais sobre o segundo momento, que se deu no início de agosto de 2015.

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Equilíbrio para informar - meditação no jornalismo

 Escrito por Heródoto Barbeiro (*)

A pressa em informar é uma ótima serva, mas uma péssima senhora. Essa afirmação é inspirada no poema Bagavat Gita, contido no Mahabarata. Os jornalistas cuidam de publicar uma notícia só quando têm certeza que o fato ocorreu. Sabem que divulgar alguma coisa que não aconteceu é a mais constante pisada na bola do código de ética do jornalismo diário, hoje turbinado com a velocidade dos bits e bytes nas redes sociais.

Os veículos temem que com a pressa possam perder reputação, o capital mais importante das empresas no mundo contemporâneo, sejam elas de comunicação ou não. Nem Arjuna, nem Krishna poderiam imaginar que seus ensinamentos escritos no Século 4 a.C. poderiam ser tão atuais. Publicar só quando formar convicção sobre o fato. Fora disso é correr o risco de ter que desmentir o que foi divulgado ou varrer para debaixo do tapete o que resulta em perda da credibilidade.

Há outros ensinamentos da filosofia oriental que podem ajudar no trabalho do dia a dia do jornalista. Um deles é o mindfullness, ou seja, estar imbuído da boa fé, compaixão, concentração e processamento cognitivo do mundo que está noticiando. Essa prática foi percorrida por Sidarta, o Buda. Em outras palavras, mindfullness significa recordar-se continuamente do seu objeto de atenção. No caso do jornalista, é a notícia. Um descuido e tudo se deteriora com imprecisão, confusão, mistura de fatos e, finalmente, a construção de uma informação sem fundamento para o público. O jornalista não pode descuidar um instante do seu trabalho.

mindfulness-meditacao-artigo-herodoto-barbeiro(Imagem: notypicalmoments.com)

------herodoto(*) Apresentador e editor-chefe do 'Jornal da Record News'. Já foi professor de história, carreira que seguiu por quase 20 anos. Na imprensa, passou por CBN, Rádio Globo, Jovem Pan, TV Cultura, TV Gazeta e Diário de S. Paulo. Edita o Blog do Barbeiro – Barba, Bigode e Cabelo, hospedado pelo R7.

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Jornalistas teriam direito ao adicional noturno?

noturno-adicional-moriColunista fala dos direitos de quem fica até mais tarde na redação (Imagem: Divulgação)O trabalho no dia a dia da redação (e de muitas assessorias de imprensa hoje em dia) exige que o jornalista prolongue sua jornada por horas a fio, sem saber que horas termina de trabalhar.
Na rotina, o “fechamento” é sempre uma surpresa porque o repórter deve estar por perto na hora de o editor tirar alguma dúvida sobre a apuração. Já o “pescoção” de sexta-feira exige que o profissional arraste sua jornada pela madrugada para terminar a edição de domingo.
Entretanto, por razões biológicas, o trabalho noturno é muito mais estafante do que o diurno. E a Justiça do Trabalho sabe bem disso. Por isso, existem alguns direitos que devem ser observados pelas empresas que exigem que seus profissionais trabalhem pela noite – jornalistas incluídos.
O primeiro deles é o pagamento do “adicional noturno”. Ou seja, o valor da hora de trabalho do jornalista deve ser pago com o adicional mínimo de 20% a mais que a hora normal (algumas convenções coletivas preveem um percentual maior).
Por “trabalho noturno” considera-se aquele que inicia (ou continua) após as 22h até as 5h do dia seguinte. Se a jornada se prolongar ainda mais, o adicional deve ser pago também após as 5h.
Para saber o valor da sua hora, basta dividir o seu salário por 150 (o chamado “divisor” de jornalistas). O saldo da conta será o seu valor hora. Além disso, o trabalhador tem direito à chamada “hora noturna”, ou seja, cada “hora” tem 52min30segundos em vez de 60 minutos. Assim, o profissional que trabalhar sete horas noturnas terá o salário equivalente àquele que trabalha oito horas diárias.
O jornalista também faz jus ao adicional de horas-extras sobre a hora noturna, se a jornada noturna for superior à 5ª hora diária. É adicional em cima de adicional. E todos esses adicionais contam na hora de receber as férias e o 13º salário.
Para evitar o pagamento de todos esses direitos, as empresas evitam controlar o ponto de jornalista, com a falsa ideia de que sem provas de jornada, o jornalista não faz jus ao pagamento. Entretanto, basta comprovar com testemunhas de que havia mesmo o trabalho noturno na empresa para receber todos os direitos.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Responsável pelo fim da obrigatoriedade do diploma de jornalismo, STF só aceita graduados em concurso

“Diploma, devidamente registrado, de curso de nível superior de graduação em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo, fornecido por instituição de ensino superior reconhecida pelo MEC, e registro na Delegacia Regional do Trabalho”. Esses são os requisitos exigidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para a função de ‘Analista Judiciário – Comunicação Social’ do concurso público cujo edital é de 11 de outubro.
Apesar de exigir a graduação em jornalismo em seu concurso, o STF foi o órgão responsável pela queda da obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão no Brasil. Em decisão tomada em setembro de 2009, os ministros avaliaram que a exigência da formação superior por parte dos veículos de comunicação e outras empresas para a contratação de profissionais da área ia contra a Constituição e representava resquícios dos tempos da ditadura.
No julgamento da ação, o então presidente do Supremo e relator do caso, Gilmar Mendes, argumentou que a profissão de jornalista era “diferenciada” e usou como exemplo o setor culinário ao defender a queda da obrigatoriedade do diploma. “Um excelente chefe de cozinha certamente poderá ser formado numa faculdade de culinária, o que não legitima o Estado a exigir que toda e qualquer refeição seja feita por profissional registrado mediante diploma de curso superior nessa área”.
O concurso
Com remuneração inicial de R$ 7.506,55, interessados na vaga de ‘Analista Judiciário – Comunicação Social’ do STF devem se inscrever no site do Cespe-UnB até a próxima segunda-feira, 4 de novembro, mediante o pagamento da taxa de R$ 80. A carga horária da função, assim como as demais do concurso, não foi divulgada. Informações sobre o modelo de avaliação e critérios para a seleção podem ser conferidas no edital.
Descrição das tarefas
“Realizar atividades de nível superior, de natureza técnica, relacionadas ao planejamento, organização, coordenação, supervisão, assessoramento, estudo, pesquisa e execução de tarefas que envolvam todas as etapas de uma cobertura jornalística integrada: produção, redação, reportagem e edição de conteúdos para mídias eletrônicas como rádio, TV, internet e imprensa escrita”.
00-a-concurso-stf-diplomaApesar de própria decisão do STF contra a obrigatoriedade do diploma de jornalista, 
concurso da Casa exige a gradução para a função (Imagem: Rafabarbosa.com)

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Estagiárias que negassem sexo eram demitidas por ex-assessor da Casa Civil, diz Ministério Público

Cerca de 40 mulheres já foram ouvidas e relataram abusos por parte do ex-prefeito

Gaiveski (foto) nega a acusaçãoReprodução Rede Record

Do R7, com Rede Record

Além das acusações de estupro e favorecimento à prostituição, o -assessor da Casa Civil da Presidência da República e ex-prefeito de Realeza (PR) Eduardo Gaievski, é suspeito de demitir as estagiárias da prefeitura que negassem fazer sexo com ele, de acordo com o Ministério Público.
Uma assessora era obrigada a convencer as jovens a manterem relações sexuais com ele. Caso o pedido fosse negado, elas eram agredidas e demitidas da prefeitura. Segundo depoimento da própria assessora, ela era ameaçada por Eduardo e tinha que selecionar as jovens ainda virgens, pela preferência do suspeito.
O relatório do Ministério Público contém depoimentos de 17 jovens, na maioria menores de idade. Gaievski foi preso no último sábado (31), em Foz do Iguaçu (PR). Ele foi desligado da Casa Civil, onde tinha o cargo de assessor, na segunda-feira anterior, logo que a Justiça decretou a prisão dele. Leia mais

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Afiliada da RedeTV é multada por "comentários favoráveis" a candidato

O Pleno do Tribunal Regional Eleitoral de Mato condenou a TV Cuiabá Ltda ao pagamento de multa no valor de aproximadamente R$ 22 mil por ter exibido, durante as Eleições de 2012, programa onde o apresentador realizou comentários que beneficiava o candidato a prefeito de Várzea Grande Sebastião dos Reis Gonçalves (Tião da Zaeli) em detrimento da candidata Lucimar Sacre de Campos.
Com a decisão, ocorrida na sessão plenária desta quinta-feira (22/08), a Corte reformou a sentença proferida pelo Juízo da 49º Zona Eleitoral de Várzea Grande, que havia julgado improcedente a representação interposta por Lucimar e pela Coligação “Unidade Democrática Social”. O Juízo da primeira instância entendeu que os comentários feitos pelo apresentador do programa da TV Cuiabá não configuraram tratamento privilegiado ao candidato Sebastião em prejuízo à candidata Lucimar.
0tvcuiaba2305Programa 'Comando Geral', exibido pela emissora
(Imagem: Reprodução)
Lucimar e a Coligação recorreram da decisão e o Pleno deu provimento ao recurso, por entender que os comentários feitos pelo apresentador da TV Cuiabá ultrapassaram os limites da informação e da notícia e desfavoreceram a candidata Lucimar Campos, o que configura prática de conduta vedada pela legislação.
“Ao analisar as provas nos autos notamos que apesar de não citar expressamente o nome da candidata Lucimar, o apresentador repetia diversas vezes que havia duas opções boas em Várzea Grande – referindo-se aos candidatos Wallace dos Santos Guimarães e Sebastião dos Reis Gonçalves, pois a outra opção – Lucimar -, seria voltar no tempo, voltar ao passado. Era preciso andar pra frente, olhar para o futuro”, destacou o relator do recurso, o juiz membro Samuel Franco Dalia Junior.
Ainda para o relator, o comentarista ao falar em “voltar no tempo” se referia ao fato da candidata Lucimar ser esposa do ex-prefeito de Várzea Grande (hoje senador), Jayme Campos.
“É sabido que o direito à liberdade de expressão é fundamental e garantido pela nossa Lei Maior. Contudo, é pacífico na jurisprudência pátria que comentários favoráveis ou contrários a candidato no período vedado pela lei configuram propaganda irregular”, destacou o relator.
Com essas considerações, em harmonia com o parecer do Procurador Regional Eleitoral, Marcellus Barbosa, o Pleno deu parcial provimento ao recurso interposto para reformar a sentença de 1ª Instância e julgar procedente a representação eleitoral proposta pela Coligação Unidade Democrática Social e Lucimar Sacre de Campos, e condenou a TV Cuiabá ao pagamento de multa no valor exato de R$ 21.282.
Via C-SE

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Suspeita de plágio em TCC no curso de jornalismo da UFMT Araguaia repercute nas redes sociais


A informação de que foi detectado um caso de plágio em TCC da primeira turma do curso de jornalismo da Universidade Federal de Mato Grosso - UFMT, Campus do Araguaia, repercutiu imprensa de Barra do Garças. No telejornal da Rede Vida Canal 16 de hoje, dia 4 de maio, foi o assunto de destaque. O foco da matéria não foi se a aluna deve ou não ser reprovada, mas sim a curiosidade da sociedade em saber como o assunto é tratado em uma Universidade Federal.

Veja os comentários abaixo feitos nas redes sociais: