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quarta-feira, 21 de junho de 2017
sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014
"É meu dever dizer aos jovens o que é um golpe de estado"
"Neste momento em que um golpe ronda um país vizinho, é meu dever dizer aos jovens o que é um golpe de estado"
Neste momento extremamente grave em que vemos um golpe militar caminhar célere rumo a um país vizinho, com o noticiário chegando a nós de modo distorcido, utilizando-se de imagens fictícias, exibindo fotos de procissões religiosas em Caracas como se fosse do povo venezuelano revoltoso nas ruas; mostrando vídeos antigos como se atuais fossem; e quando, pelo próprio visual próspero e “coxinha” dos manifestantes, podemos bem avaliar os interesses de sua sofreguidão, que os impedem de respeitar os valores democráticos e esperar nova eleição para mudar o governo que os desagrada, vejo como meu dever abrir a boca e falar.
Dizer a vocês, jovens de 20, 30, 40 anos de meu Brasil, o que é de fato uma ditadura.
Se a Ditadura Militar tivesse sido contada na escola, como são a Inconfidência Mineira e outros episódios pontuais de usurpação da liberdade em nosso país, eu não estaria me vendo hoje obrigada a passar sal em minhas tão raladas feridas, que jamais pararam de sangrar.
Fazer as feridas sangrarem é obrigação de cada um dos que sofreram naquele período e ainda têm voz para falar.
Alguns já se calaram para sempre. Outros, agora se calam por vontade própria. Terceiros, por cansaço. Muitos, por desânimo. O coração tem razões…
Eu falo e eu choro e eu me sinto um bagaço. Talvez porque a minha consciência do sofrimento tenha pegado meio no tranco, como se eu vivesse durante um certo tempo assim catatônica, sem prestar atenção, caminhando como cabra cega num cenário de terror e desolação, apalpando o ar, me guiando pela brisa. E quando, finalmente, caiu-me a venda, só vi o vazio de minha própria cegueira.
Meu irmão, meu irmão, onde estás? Sequer o corpo jamais tivemos.
Outro dia, jantei com um casal de leais companheiros dele. Bronzeados, risonhos, felizes. Quando falei do sofrimento que passávamos em casa, na expectativa de saber se Tuti estaria morto ou vivo, se havia corpo ou não, ouvi: “Ah, mas se soubessem como éramos felizes… Dormíamos de mãos dadas e com o revólver ao lado, e éramos completamente felizes”. E se olharam, um ao outro, completamente felizes.
Ah, meu deus, e como nós, as famílias dos que morreram, éramos e somos completamente infelizes!
A ditadura militar aboletou-se no Brasil, assentada sobre um colchão de mentiras ardilosamente costuradas para iludir a boa fé de uma classe média desinformada, aterrorizada por perversa lavagem cerebral da mídia, que antevia uma “invasão vermelha”, quando o que, de fato, hoje se sabe, navegava célere em nossa direção, era uma frota americana.
Deu-se o golpe! Os jovens universitários liberais e de esquerda não precisavam de motivação mais convincente para reagir. Como armas, tinham sua ideologia, os argumentos, os livros. Foram afugentados do mundo acadêmico, proibidos de estudar, de frequentar as escolas, o saber entrou para o índex nacional engendrado pela prepotência.
As pessoas tinham as casas invadidas, gavetas reviradas, papéis e livros confiscados. Pessoas eram levadas na calada da noite ou sob o sol brilhante, aos olhos da vizinhança, sem explicações nem motivo, bastava uma denúncia, sabe-se lá por que razão ou por quem, muitas para nunca mais serem vistas ou sabidas. Ou mesmo eram mortas à luz do dia. Ra-ta-ta-ta-tá e pronto.
E todos se calavam. A grande escuridão do Brasil. Assim são as ditaduras. Hoje ouvimos falar dos horrores praticados na Coreia do Norte. Aqui não foi muito diferente. O medo era igual. O obscurantismo igual. As torturas iguais. A hipocrisia idêntica. A aceitação da sobrevivência. Ame-me ou deixe-me. O dedurismo. Tudo igual. Em número menor de indivíduos massacrados, mas a mesma consistência de terror, a mesma impotência.
Falam na corrupção dos dias de hoje. Esquecem-se de falar nas de ontem. Quando cochichavam sobre as “malas do Golbery” ou as “comissões das turbinas”, as “compras de armamento”. Falavam, falavam, mas nada se apurava, nada se publicava, nada se confirmava, pois não havia CPI, não havia um Congresso de verdade, uma imprensa de verdade, uma Justiça de verdade, um país de verdade.
E qualquer empresa, grande, média ou mínima, para conseguir se manter, precisava obrigatoriamente ter na diretoria um militar. De qualquer patente. Para impor respeito, abrir portas, estar imune a perseguições. Se isso não é um tipo de aparelhamento, o que é, então? Um Brasil de mentirinha, ao som da trilha sonora ufanista de Miguel Gustavo.
Minha família se dilacerou. Meu irmão torturado, morto, corpo não sabido. Minha mãe assassinada, numa pantomima de acidente, só desmascarada 22 anos depois, pelo empenho do ministro José Gregory, com a instalação da Comissão dos Mortos e Desaparecidos Políticos no governo Fernando Henrique Cardoso.
Meu pai, quatro infartos e a decepção de saber que ele, estrangeiro, que dedicou vida, esforço e economias a manter um orfanato em Minas, criando 50 meninos brasileiros e lhes dando ofício, via o Brasil lhe roubar o primogênito, Stuart Edgar, somando no nome as homenagens ao seus pai e irmão, ambos pastores protestantes americanos – o irmão assassinado por membro louco da Ku Klux Klan. Tragédia que se repetia.
Minha irmã, enviada repentinamente para estudar nos Estados Unidos, quando minha mãe teve a informação que sua sala de aula, no curso de Ciências Sociais, na PUC, seria invadida pelos militares, e foi, e os alunos seriam presos, e foram. Até hoje, ela vive no exterior.
Barata tonta, fiquei por aí, vagando feito mariposa, em volta da fosforescência da luz magnífica de minha profissão de colunista social, que só me somou aplausos e muitos queridos amigos, mas também uma insolente incompreensão de quem se arbitrou o insano direito de me julgar por ter sobrevivido.
Outra morte dolorida foi a da atriz, minha verdadeira e apaixonada vocação, que, logo após o assassinato de minha mãe, precisei abdicar de ser, apesar de me ter preparado desde a infância para isso e já ter alcançado o espaço próprio. Intuitivamente, sabia que prosseguir significaria uma contagem regressiva para meu próprio fim.
Hoje, vivo catando os retalhos daquele passado, como acumuladora, sem espaço para tantos papéis, vestidos, rabiscos, memórias, tentando me entender, encontrar, reencontrar e viver, apesar de tudo, e promover nessa plantação tosca de sofrimentos uma bela colheita: lembrar aos meus mártires, e tudo de bom e de belo que fizeram pelo meu país, quer na moda, na arte, na política, nos exemplos deixados, na História, através do maior número de ações produtivas, efetivas e criativas que possa multiplicar.
E ainda há quem me pergunte em quê a Ditadura Militar modificou minha vida!
Fonte: Pragmatismo Político
segunda-feira, 26 de agosto de 2013
Afiliada da RedeTV é multada por "comentários favoráveis" a candidato
O Pleno do Tribunal Regional Eleitoral de Mato condenou a TV Cuiabá Ltda ao pagamento de multa no valor de aproximadamente R$ 22 mil por ter exibido, durante as Eleições de 2012, programa onde o apresentador realizou comentários que beneficiava o candidato a prefeito de Várzea Grande Sebastião dos Reis Gonçalves (Tião da Zaeli) em detrimento da candidata Lucimar Sacre de Campos.
Com a decisão, ocorrida na sessão plenária desta quinta-feira (22/08), a Corte reformou a sentença proferida pelo Juízo da 49º Zona Eleitoral de Várzea Grande, que havia julgado improcedente a representação interposta por Lucimar e pela Coligação “Unidade Democrática Social”. O Juízo da primeira instância entendeu que os comentários feitos pelo apresentador do programa da TV Cuiabá não configuraram tratamento privilegiado ao candidato Sebastião em prejuízo à candidata Lucimar.
(Imagem: Reprodução)Lucimar e a Coligação recorreram da decisão e o Pleno deu provimento ao recurso, por entender que os comentários feitos pelo apresentador da TV Cuiabá ultrapassaram os limites da informação e da notícia e desfavoreceram a candidata Lucimar Campos, o que configura prática de conduta vedada pela legislação.
“Ao analisar as provas nos autos notamos que apesar de não citar expressamente o nome da candidata Lucimar, o apresentador repetia diversas vezes que havia duas opções boas em Várzea Grande – referindo-se aos candidatos Wallace dos Santos Guimarães e Sebastião dos Reis Gonçalves, pois a outra opção – Lucimar -, seria voltar no tempo, voltar ao passado. Era preciso andar pra frente, olhar para o futuro”, destacou o relator do recurso, o juiz membro Samuel Franco Dalia Junior.
Ainda para o relator, o comentarista ao falar em “voltar no tempo” se referia ao fato da candidata Lucimar ser esposa do ex-prefeito de Várzea Grande (hoje senador), Jayme Campos.
“É sabido que o direito à liberdade de expressão é fundamental e garantido pela nossa Lei Maior. Contudo, é pacífico na jurisprudência pátria que comentários favoráveis ou contrários a candidato no período vedado pela lei configuram propaganda irregular”, destacou o relator.
Com essas considerações, em harmonia com o parecer do Procurador Regional Eleitoral, Marcellus Barbosa, o Pleno deu parcial provimento ao recurso interposto para reformar a sentença de 1ª Instância e julgar procedente a representação eleitoral proposta pela Coligação Unidade Democrática Social e Lucimar Sacre de Campos, e condenou a TV Cuiabá ao pagamento de multa no valor exato de R$ 21.282.
Via C-SE
terça-feira, 4 de junho de 2013
Volta do PSDB ao poder poderia gerar convulsão social no país, diz Eduardo Guimarães
Se o bombardeio midiático de saturação contra o governo Dilma obtiver êxito e conseguir eleger um tucano como presidente no ano que vem, pode-se prever grandes mudanças na política econômica do país. Mudanças que podem ser desastrosas.
A similaridade entre o discurso do pré-candidato tucano Aécio Neves e o dos analistas e editorialistas da grande imprensa já permite ver algumas mudanças práticas que sobreviriam.
Em primeiro lugar, Aécio já encampou a pregação dos jornais e revistas semanais sobre o estímulo à economia via gastos públicos.
Em recente propaganda partidária do PSDB, o pré-candidato tucano defendeu controle de gastos públicos para conter a inflação. Esse discurso é exatamente o mesmo que o dos jornais Folha de São Paulo, O Globo e Estadão, além de revistas como Veja e Época.
Veja, abaixo, vídeo contendo recente propaganda partidária do PSDB em que Aécio acusa o governo de “gastar mais do que arrecada” e que isso precisa mudar para diminuir a inflação. Em seguida, leia trecho de editorial da Folha que diz exatamente o mesmo.
—–
Propaganda partidária do PSDB
22 de maio de 2013
FOLHA DE SÃO PAULO
Editorial
Um plano Dilma
2 de junho de 2013
“(…) O governo deve renunciar à insensatez de tentar estimular a economia com gastos públicos enquanto o BC se dedica à missão contrária de desincentivar crédito e consumo, necessária para debelar a inflação (…)”
—–
Como se vê, ambos dizem a mesma coisa. No vídeo, Aécio diz, textualmente, que “Hoje, o governo federal gasta mais do que arrecada” e que, por isso, “A conta não fecha”, referindo-se à causa da inflação.
O gráfico abaixo mostra que o PSDB não tem como dar lições nesse assunto. A relação dívida-PIB que ilustra está desatualizada porque o estudo é de 2010 e, assim, os resultados daquele ano, de 2011, 2012 e 2013 estão desatualizados. Contudo, mostra a situação concreta entre 1984 e 2009.
Como se vê, a relação entre o Produto Interno Bruto e a dívida líquida do setor público começou a piorar entre 1995 e 2002, último ano do governo do PSDB, quando chegou a 60% do PIB. Depois, veio caindo. Em abril deste ano, estava em pouco mais de 35%.
Esse é um dos indicadores mais eloquentes sobre o Estado de uma economia. Sim, a dívida veio crescendo nos últimos meses, mas, ainda assim, não há uma situação explosiva como a da era tucana.
Todavia, seria possível o governo melhorar ainda mais esse número se seguisse o conselho da mídia e do PSDB sobre “renunciar à insensatez de tentar estimular a economia com gastos públicos”.
Mas há um probleminha nessa política. Antes de explicar qual é, analisemos o patamar atual da economia brasileira em relação ao de 2002, último ano do governo FHC.
Em 2012, o PIB brasileiro foi de 2,5 trilhões de dólares; em 2002, foi de 450 bilhões. Ou seja: em dólares, a economia brasileira é hoje CINCO VEZES maior do que a de uma década atrás.
Nos últimos dez anos, portanto, houve uma revolução na economia brasileira que nos deu condições de usar o investimento do Estado para promover o crescimento.
Além disso, a política brasileira é bem sensata e produto de uma decisão do governo que se sustenta em um fato real: gastamos porque podemos.
Em abril, o governo divulgou que pode haver relaxamento da meta de superávit em 2013 e 2014. Superávit primário, para quem não sabe, é a diferença entre receitas e despesas do governo, excluído o valor dos juros da dívida pública, que, hoje, é muito menor em relação ao tamanho da economia.
O Brasil não tem como incluir os juros nessa conta, mas o indicador que define o Estado da economia não é o tamanho da dívida pública e sim a sua relação com o PIB, ou seja, quanto o governo deve em comparação com a riqueza que produz anualmente.
Ora, Lula chegou ao poder com uma dívida pública líquida que representava 60% do PIB e, hoje, com Dilma, esse percentual está em 35%.
Podemos – e devemos –, portanto, usar essa situação inédita na economia brasileira para fugir de uma política que teria como contrapartida um verdadeiro desastre social no país.
O desemprego só está baixo, hoje, porque o Estado lidera os investimentos no país com programas sociais (como o Bolsa Família) e de infraestrutura (como o PAC). Uma redução consistente nesses gastos, visando aumentar o superávit primário, teria como consequência o aumento do desemprego e a redução da renda e dos salários.
Aécio e a mídia ligada ao PSDB afirmam que essa política reduziria a inflação e aceleraria o crescimento.
Quanto à inflação, o arrocho salarial e o desemprego poderiam, sim, reduzi-la um pouco, mas de que adiantam preços mais baixos se o povo estiver desempregado e quem tiver emprego estiver ganhando muito menos?
Hoje, a população não sente a crise econômica que está gerando convulsão social em grande parte dos países ricos, sobretudo na Europa. A política que a mídia prega e que o PSDB deixa ver que pode adotar, no entanto, importaria essa convulsão para o Brasil.
A você que acredita no que dizem a mídia tucana e o partido que ela quer reconduzir ao poder, portanto, tenha em mente que, se o PSDB voltar ao poder, é certo que haverá mais desemprego e salários menores. E que você pode ser atingido por essa situação.
sexta-feira, 29 de março de 2013
Crise demonstra que a experiência neoliberal fracassou em Portugal, diz Silva Peneda
“Os consumidores não consomem, os produtores não produzem, as financeiras
não financiam e os trabalhadores não têm trabalho”. É preciso tirar lições da
crise, alerta o presidente do CES.
Silva Peneda considera que o actual quadro não favorece a preocupação das empresas com a sua responsabilidade social DANIEL ROCH
O presidente do Conselho Económico e Social (CES), Silva Peneda, disse
nesta segunda-feira que uma das lições a tirar da crise é que a experiência
neoliberal fracassou, sendo necessário privilegiar o investimento produtivo e
reestruturar o sistema financeiro.
Silva Peneda, que falava na conferência “Global Compact Network Portugal”
sobre a responsabilidade social das empresas, sublinhou a importância da
dimensão ética, cujo afastamento no sector financeiro levou à crise.
Segundo o presidente do CES, a situação actual é exemplo de como, “com a
ausência de princípios éticos, um sector pode arrastar milhares de empresas e
cidadãos para um mundo de dificuldades”. Mais via Público.
sábado, 12 de janeiro de 2013
Governo do Paraná foi condescendente com a situação, diz Mauri König sobre ameaças após reportagem
O jornalista paranaense, Mauri König coordenou uma série de reportagens publicadas pela Gazeta do Povo sob o título "Polícia Fora da Lei", que denunciava supostos desvios de uso do fundo rotativo da Polícia Civil e o uso irregular de viaturas destinadas ao trabalho das polícias Civil e Militar e, em seguida, passou a ser ameaçado. Afastado do Brasil, ele, em entrevista ao portal Terra, explica que o governo do Paraná, estado comandado pelo tucano Beto Richa, foi condescendente com a situação. "O governo fez pouco caso das ameaças ocorridas em maio, deu pouca importância", diz.
König afirma que não tem dúvidas de que as ameaças tenham partido de setores da polícia paranaense. Ele fala ao Terra que é fundamental uma investigação sobre o caso. "A Gazeta do Povo já informou a secretaria de Segurança Pública o número dos telefones públicos de onde partiram as ligações para descobrir quem é o policial que fez o alerta e a partir dele descobrir como ele soube desta informação. Não é uma ameaça de marginais. É uma ameaça que partiu da estrutura do Estado, de agentes públicos de segurança. É mais grave que uma ameaça de delinquentes", lamenta.
Sobre sua atuação como jornalista, o profissional revela ter pensado muito sobre o assunto e que se soubesse das consequências ficaria em dúvida se faria novamente a série de denúncias que resultou em sua saída do país. "Refleti bastante sobre isso. Se eu soubesse dessas consequências, eu estaria em dúvida se faria novamente. Isto implica na vida de muita gente. A intenção era contribuir com a sociedade. Mas, tenho dúvidas se faria da forma que fiz novamente. É um preço muito alto. Não interferiu apenas na minha vida. Acaba refletindo na vida da família e aí que preocupa. O que sei fazer é jornalismo e não vou deixar a profissão. Mas, vou repensar um pouco sobre isso", comentou. Questionado, König conta que não há interesse na investigação por parte do governo porque existe um "corporativismo" em que um acoberta o outro dentro da polícia. O repórter entende que houve punições apenas para policias suspeitos de terem contribuído com informações para o veículo.
A entrevista feita pelo repórter Carlos Ohara ainda aborda os resultados das denúncias do jornalista, como os rearranjos internos na cúpula da Polícia Civil, e detalhes de como a família dele reagiu às ameaças. Via C-SE.
(Imagem: Arquivo Pessoal)
Leia também: “É muito barato matar um jornalista”, diz presidente de federação internacional da área
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quarta-feira, 20 de outubro de 2010
A Hora da Escolha

A campanha eleitoral do PSDB e das elites conservadoras neste ano traz características surpreendentes, porque consideradas superadas há muito tempo. É um renascer conservador que usa de todos os métodos, manipula, distorce, falseia, na tentativa de seduzir o eleitor sem dizer a que veio sem apresentar sequer um programa de governo.
Temas como a crença em Deus, o aborto, a liberdade de imprensa, a corrupção, dominam a agenda eleitoral e, em si, já demonstram que não é o futuro do Brasil que os preocupa, mas desclassificar e derrotar seus adversários por quaisquer meios. E é tal a manipulação que, neste momento eleitoral, apresentam estes temas como se fossem da alçada de decisões da Presidência da República, o que não é verdade.
A separação entre a Igreja e o Estado é um dos princípios que funda o Estado moderno, que também é assegurada na Constituição de 1988 e em todos os países ocidentais. Crer ou não em Deus, ter ou não uma religião, são temas da vida privada, de foro pessoal, e assim devem continuar para garantir o respeito à diversidade e pluralidade culturais, fundamentos da democracia e da paz, ou voltaremos aos tempos das inquisições e da fogueira para sacrificar os hereges.
A descriminalização do aborto não é uma “política para matar criancinhas”, como declara solertemente a oposição. É uma questão de saúde pública que se propõe para evitar a morte de milhares de mulheres, condenadas a enormes riscos ao realizarem seus abortos de forma precária e clandestina, sem qualquer apoio do poder público. E é importante frisar que também aqui, neste caso, a decisão por adotar estas políticas não é da Presidência da República, mas sim do Congresso Nacional.
A questão da corrupção, ela sempre esteve presente na política brasileira, na democracia das elites, que se servem deste expediente na defesa de interesses privados, afrontando a dimensão pública e o interesse coletivo. Se é verdade que os expedientes do “dá lá, toma cá”, estão presentes também no atual governo, o que é lamentável e demanda uma reforma política para instituir controles democráticos efetivos sobre Executivo, Legislativo e Judiciário, não dá para o PSDB posar de vestal, basta lembrar as denúncias da compra de votos que permitiram a FHC modificar a Constituição e ter seu segundo mandato.
Esta agenda eleitoral, fundamentalista e despolitizada, que não trata das questões que importam para o futuro do país, só ganhou importância pelo destaque que a mídia lhe deu – TVs e jornais – que atuaram de maneira articulada, impondo sua versão dos fatos e tentando transformá-la em realidade. Nunca é demais lembrar que uma das questões centrais da democratização de nosso país é retirar do controle de apenas 9 famílias estes meios de comunicação. A tão propalada ameaça à liberdade de imprensa nada mais é que a defesa deste oligopólio, que por sua vez representa o conservadorismo, agora mais radical neste fim de campanha eleitoral.
Assistimos a um deslocamento ideológico onde o PSDB passa a ocupar o lugar do DEM, e o PT o lugar do PSDB. Esta situação abriu um espaço à esquerda no espectro político. Se Marina tivesse se aliado aos pequenos partidos à esquerda, que nasceram como dissidências do PT, poderíamos ter tido uma opção eleitoral à esquerda, mas este não foi o caso, como se pode ver com o alinhamento informal do PV à candidatura do PSDB. Marina paga agora o preço de sua ingenuidade.
A expressiva votação de Tiririca para deputado federal combina com a despolitização desta campanha e com um sentimento de rejeição pela política e pelos políticos de importantes setores da população, que desconfiam da falsidade das campanhas eleitorais e desta manipulação midiática. Afinal, como as candidaturas à presidência prometem mais creches, escolas, saúde, se estes equipamentos e serviços são responsabilidade dos governos municipais? Por que não falam de cambio, política externa, integração regional, projeto de desenvolvimento?
A verdade é que as candidaturas se dobraram à lógica das pesquisas eleitorais e das estratégias de marketing. Falam o que o eleitor quer ouvir. Prometem como sempre prometeram, a cada eleição. O importante nas condições atuais é construir critérios para avaliar as opções. E um deles pode ser o de comparar os governos que estes dois partidos realizaram e avaliar não só o quanto cumprem de suas promessas, mas o que fizeram pelo povo brasileiro.
Embora eles não estejam enunciados com clareza, existem dois projetos para o Brasil em disputa. O do PT é a continuidade de um processo de crescer favorecendo as grandes empresas nacionais e redistribuindo alguma (pouca) riqueza, permitindo a inclusão dos mais pobres. É a isso que se chama social democracia, uma antiga bandeira do PSDB. Já o projeto do PSDB é radical no sentido de favorecer o livre mercado, como se estivéssemos nos anos 90... E o livre mercado não tem nenhum projeto de desenvolvimento autônomo para o Brasil e nem se preocupa com o interesse público. Não é preciso dizer que esta opção só favorece as elites tradicionais, que se transformam em sócias menores do capital internacional, quando o fazem. Nesse caso, nossas riquezas irão beneficiar outros senhores e a desigualdade aumentará.
Mas, mesmo com estas condições que deixam tanto a desejar, temos que fazer uma escolha. Para muitos não será uma escolha pela sua identidade pessoal com um projeto político. Terá de ser uma avaliação em função das opções concretas. Falo especialmente para os que votaram em Marina no primeiro turno, para os que anularam o voto, para os que se abstiveram.

Silvio Caccia Bava
Diretor e Editor Chefe
Fonte: Le Monde Diplomatique Brasil
quinta-feira, 14 de outubro de 2010
Miriam Leitão, a "jornalista do apocalipse"
Miriam tenta entrevistar José Serra e se dá mal, discute com Dilma Rousseff e é detonada por Paulo Henrique Amorim. Por seu estilo, ganhou a alcunha de "jornalista do apocalipse".
quarta-feira, 30 de junho de 2010
Vereador agride repórter com tapa na cara em MT
A jornalista Márcia Pache, da TV Centro-Oeste, retransmissora do SBT em Pontes e Lacerda (MT), foi agredida com um tapa na cara na manhã de segunda-feira, 28 de junho, pelo vereador Lorivaldo Rodrigues de Moraes (DEM), conhecido como Kirrarinha. A repórter tentava entrevistar o parlamentar, que terminava de prestar um depoimento em uma delegacia da cidade. A equipe de reportagem registrou a agressão.O Sindicato dos Jornalistas de Mato Grosso publicou nota repudiando a atitude do parlamentar. O caso ganhou repercussão nacional e internacional.
Leia também:
Vereador que agrediu jornalista pode ser punido pelo partido
Após apanhar de vereador, jornalista teme por sua vida
ARTIGO: Um tapa na cara do Jornalismo de MT
Agressões a jornalistas em Mato Grosso e Minas Gerais revoltam a categoria
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
OAB pede à PGR afastamento ou prisão preventiva de Arruda
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
Veja vídeo de suposto suborno a testemunha do mensalão do DEM
Leia também: OAB diz que vai pedir na Justiça bloqueio dos bens de Arruda e Esquema desbaratado pelo PF na Caixa de Pandora vinha desde a gestão Roriz.
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
Esquema desbaratado pelo PF na Caixa de Pandora vinha desde a gestão Roriz
De acordo com investigadores da Polícia Federal, ex-deputado distrital Pedro Passos teria enviado carta a Arruda, na qual relata o recebimento de propina na época do governo anterior. Autor do texto pede nova mesada e sugere até a quantia que gostaria de ganhar. Leia mais sobrfe Caica de Pandora.
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
Vice-governador do Distrito Federal omitiu sociedade em rádio
Rádio não declarada é retransmissora em Brasília da Band AM, que faturou ao menos R$ 622,5 mil do governo Arruda. Além de ser sócio da Voz do Cerrado, as Organizações Paulo Octávio possuem mais três emissoras: JK FM, Gama Super Rádio, retransmissora da Globo AM, e Mix FM. Juntas, as quatro receberam ao menos R$ 5,8 milhões entre 2007 e 2009 para fazer propaganda, com verbas repassadas por empresas que venceram licitações do governo.
Empresa do vice de Arruda também é sócia da TV Brasília, além de empresas de construção, hotéis, shoppings, companhia de seguros, concessionárias e imobiliárias no Distrito Federal. Durante a gestão de Arruda, investigado pelo suposto mensalão do DEM, os repasses para as empresas de Octávio tiveram um aumento de 189%, saltando de R$ 902 mil em 2007 para R$ 2,6 milhões em 2008.
A compra de rádios por congressistas em exercício das funções, como aconteceu com Octávio quando era senador, contraria a Constituição, que proíbe deputados e senadores de "serem proprietários, controladores ou diretores de empresa que goze de favor decorrente de contato com pessoa jurídica de direito público". Mas a lei orgânica do DF não esclarece se vice pode ter rádio e TV nem se é ilegal o repasse de verba para suas empresas.
Segundo apurou a Folha de S.Paulo, uma das ordens bancárias liga a Voz do Cerrado a uma das empresas citadas por Durval Barbosa, que denunciou o mensalão do DEM ao Ministério Público. Além do benefício à AV Comunicação, que entregou o dinheiro público à Voz do Cerrado, Barbosa disse que teria entregue R$ 200 mil de propina a Paulo Octávio. O advogado do vice do DF, Antônio Carlos de Almeida Castro, alegou que a declaração não tem valor jurídico.
As informações são da Folha de S. Paulo. Via Comunique-se.
Obs. do blogueiro: Paulo Octávio é acusado pela operação Caixa de Pandora da Polícia Federal, juntamente com o governador, José Arruda, de participar de esquema de suposto pagamento de propina do GDF para base aliada com dinheiro de empresas prestadoras de serviço. Só de olhar os links, eu jamais compraria um carro usado desses dois, mas a população de Brasília elegeu os caras para os principais cargos do executivo do DF...
quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
O embate entre o governo Lula e a rede Globo
Contrariando as teorias de comunicação clássicas, desde a teoria da ‘agulha hipodérmica’ até a da ‘agenda setting’, que diziam que os meios formam a opinião ou pautam o temário do público, com o fenômeno Lula os meios de comunicação estão perdendo o monopólio da palavra. Íntegra do artigo do Jornalista e Doutor em Comunicação pela Universidade de São Paulo, Dario Pignotti, publicado originalmente no Le Monde Diplomatique, edição Cone Sul. Dica de Kiko.Leia mais sobre o agenda setting da Globo,
terça-feira, 29 de dezembro de 2009
Brasília projeta Cidade Aeroportuária para ano do cinquentenário
Para aumentar o tamanho, clique na imagem da provável área do segundo aeroporto de Brasília (Reproduzida do site desastresaereosnews.blogspot.com).Deu no site da Secretária de Desenvolvimento Econômico e Turismo do Governo do Distrito Federal, no último dia 22. Em tempos de grandes escândalos políticos distritais, um release anuncia projeto de uma "Cidade Aeroportuária" na Capital Federal.
Segundo o documento, trata-se de "um vasto complexo industrial voltado para a exportação, um centro logístico multimodal e um aeroporto com foco em cargas e vôos internacionais", que representa uma "revolução na economia do DF". Ainda segundo o documento, "somente as obras de infraestrutura e construção dos prédios exigirão investimentos iniciais de pelo menos R$ 20 bilhões de reais".
Desde novembro, responde pela pasta o novo secretário, Adriano Amaral, que trabalhou no governo de transição do DF, em 2006, coordenado pelo atual vice-governador, Paulo Octávio. Este é acusado pela operação Caixa de Pandora da Polícia Federal, juntamente com o governador, José Arruda, de participar de esquema de suposto pagamento de propina do GDF para base aliada com dinheiro de empresas prestadoras de serviço.
segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
Alexandre Sena analisa Caixa de Pandora
quinta-feira, 2 de julho de 2009
Buscas no Araguaia começam em uma semana
A comissão criada no Ministério da Defesa para fazer uma operação de busca de ossadas de mortos na Guerrilha do Araguaia (1972-1975) começará os trabalhos na próxima quarta-feira. Apesar das queixas do ministro-chefe da Secretaria de Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, insatisfeito com o fato de a operação ter ficado sob o comando do ministro Nelson Jobim (Defesa), ficou definido que a tarefa vai ser levada adiante.
quinta-feira, 14 de maio de 2009
Professor de Comunicação apanha na sala de aula em Manaus

Coordenador do curso de Comunicação Social e do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), professor doutor Gilson Monteiro, foi agredido na terça, 12, durante aula para alunos do curso de Jornalismo, pelos irmãos do Vice-Governador do Amazonas, Amim e Mansur Aziz.
Vice-Governador Omar Aziz condenou a agressão, que ocorreu quando o professor ministrava aula da disciplina Tópicos Especiais de Jornalismo, que analisa postura da imprensa diante de fatos envolvendo personalidades e políticos.
quinta-feira, 30 de abril de 2009
Vocês viram?
Carol Pacobahyba colocou no seu blog, Sei Não, desabafo do apresentador Luiz Carlos Prates sobre a “farra” das passagens aéreas dos Deputados. Ele chuta o pau da barraca do Congresso e mostra que a mídia nem sempre é marionete. O comentário exaltado foi ao ar no último dia 20, no SC TV, RBS de Santa Catarina, afiliada da Rede Globo.
quinta-feira, 23 de abril de 2009
"Ministério Público é o caralho!", diz Ciro Gomes
"Ministério Público é o caralho! Não tenho medo de ninguém. Da imprensa, de deputados". "Pode escrever o caralho aí", repetiu várias vezes o deputado Ciro Gomes (PSB-CE) aos jornalistas, informa matéria da Folha de S. Paulo sobre caso das cotas de passagens publicada nesta quinta-feira, 23.
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